O Diretor do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente, Professor Cesário Silva, foi um adepto de primeira hora da plataforma SAPIE-EB. E explica-nos porquê.

ATB: É um entusiasta da plataforma SAPIE-EB. Quem impressões lhe deixou o projeto, na primeira vez que lhe foi apresentado?

Prof. Cesário Já trabalhamos com a ATB há vários anos, na área das atividades de enriquecimento curricular (AEC). Foi por isso com interesse que quisemos saber mais acerca do SAPIE-EB. Até porque todos nós, no contexto educativo, sentimos a necessidade de ter uma ferramenta deste tipo, que nos permita antecipar as situações de potencial insucesso.

O SAPIE-EB vem precisamente dar-nos esta resposta. Tendo disponível, em tempo real, informação sobre os alunos que estão em risco, podemos agir preventivamente e não apenas remediar as situações quando elas já são uma realidade.

Ao mesmo tempo a plataforma permite-nos ter acesso um conjunto de informação sobre cada aluno, que é bastante valiosa e pode melhorar muito o trabalho que fazemos com cada estudante.

ATB: Como é que descreveria a situação na Marinha Grande, em termos de insucesso escolar?

PC: No contexto do nosso agrupamento, as taxas de insucesso já são muito pouco significativas. Foi possível chegarmos a este cenário pois trabalhamos nele já há algum tempo construindo, também, um histórico de informação sobre cada aluno.

Os resultados que temos hoje são fruto de uma forte aposta da nossa parte e de um grande trabalho feito pelos professores e restantes equipas da escola, ao longo dos últimos tempos.

ATB: E o que valor acrescentado o SAPIE pode ainda trazer a esta abordagem que implementaram e que já é eficaz?

PC: Esta plataforma vem dar rapidez e ainda mais nitidez a todo o processo. Ao termos acesso à informação tratada, em tempo real, conseguimos entender qual o contexto do aluno, que medidas já foram tomadas, se resultaram ou não e porquê, etc. Podemos, em tempo útil, atuar com mais foco, com maior precisão e com melhores resultados.

Vai-nos interessar, cada vez mais, olhar para cada aluno individualmente e não para a turma ou para a escola em geral, como entidades orgânicas. Cada vez mais tenderemos a trabalhar primeiro cada aluno. Depois, a partir desta heterogeneidade, queremos descobrir como é que as diferenças entre todos podem ser complementares e como é que, colaborando, todos podemos ganhar.

ATB: O vosso agrupamento tem a vantagem de ter já um caminho considerável percorrido nesta área. Como é que a comunidade educativa olha para este patamar a que chegou?

PC: Trabalhámos muito para chegar aqui. Ainda esta manhã, conversando com um colega sobre a escola, ele me ajudava a reparar como “está tudo cada vez mais calmo e cada vez mais tranquilo”. Um dos fatores que mais contribuiu para esta situação foi a queda das taxas de retenção e também a nossa atenção particular a situações de desenraizamento.

Sempre que detetamos casos destes agimos logo e, assim, temos vindo a construir uma escola mais coesa, onde todos têm um lugar, mesmo se a velocidades diferentes. Há um tempo atrás, houve uma reorganização local das escolas e acabámos por ficar com muito mais alunos. Mas decidimos manter esta abordagem – antecipar e dar atenção a cada um, em vez de remediar.

Hoje para nós, podermos sentir-nos bem na escola, é um ponto de honra. Fomos sinalizados como um território educativo de intervenção prioritária (TEIPE) mas, internamente, sentimo-nos antes um “Território Educativo de Inclusão e Promoção do Sucesso”.

Os grandes desafios com que tivemos de lidar permitiram que nos uníssemos, que olhássemos para dentro da escola e que, aqui dentro, encontrássemos as soluções com cada um.